RELI na Imprensa

Notícias sobre a RELI

in iOnline (Jornal i) – Diogo Vaz Pinto

https://ionline.sapo.pt/artigo/691589/reli-o-virus-ja-fez-cair-as-divisoes-tribais-entre-as-livrarias-independentes

Há muito que se fazia sentir a necessidade de uma rede de apoio mútuo entre as livrarias independentes, e foi a ameaça existencial precipitada pela emergência sanitária que levou finalmente à criação da ReLI, uma associação livre com um programa que pode lançar as bases de uma verdadeira força de resistência cultural e crítica no sector do livro.


É possível imaginar que os bons livros, mesmo se fechados, ainda roguem pragas. As épocas que os ignoram acabam por se pôr a si mesmas de castigo, sofrer duras penas. O que é, de resto, bem merecido. Nada tão severo como o serem avassaladas por populismos, derivas de prepotência autoritária e imbecil, essas formas de histeria que dominam os ímpetos colectivos e que trazem consigo o fedor característico da ignorância. Mas como não lamentar a forma como os deixam para ali, amargurados nas estantes, sentindo a comichão das ideias, as letras apertando como parafusos, mundos condensados em impressões dessas que poderiam beliscar-nos, ajudar nos períodos de vigília, sacudindo o pó do tédio, espreguiçando os nervos. (…)

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Borges, de algum modo, nunca fez outra coisa que trautear uma harmonia vigilante, enquanto percorria o corredor labiríntico de uma biblioteca, ladeado de estantes que se elevavam unindo idiomas às mais extensas regiões. “Estes caminhos foram ecos e passos,/ mulheres, homens, agonias, ressurreições,/ dias e noites,/ fantasias e sonhos,/ cada ínfimo instante de ontem/ e dos ontens do mundo,/ a firme espada do dinamarquês e a lua do persa,/ os actos dos mortos,/ o amor compartilhado, as palavras”… São as palavras laboriosas e ásperas que de “uma boca em pó tornada” encontram um ritmo certo e penetrante para nos fazer entrar por algum lado na infinita trama urdida dos efeitos e das causas, esse espelho em que nos vemos outro, outros, o segredo da metamorfose literal.

Se há um provérbio que nos diz que um mau livro significa a perda de uma boa floresta, um livro enlouquecido com a sua canção quase escarnece da nossa mortalidade. E por instantes dá-nos a sensação de termos bebido um gole de uma lucidez que rejuvenesce de tal modo os sentidos que parece que antes nem éramos nascidos. Um bom livro dá vida com cada incidente, cada virar de página, expondo-nos à sua cadeia de efeitos, ao seu perpétuo susto. Sem os livros não estamos menos perdidos, mas não fazemos sequer ideia disso. Eles servem, não para resolver os problemas por nós, não para nos entregar de mão beijada as soluções, mas para nos manter num estado permanente de alerta, numa prontidão absoluta para agirmos ou reagirmos de forma verdadeiramente criativa e engenhosa. E é bom começar por aí, por reconhecer como estamos a viver um desses momentos em que é imperativo abandonar a atitude de sujeição, não embarcar em delírios nem se deixar paralisar pelo medo. Desde logo porque, como notou Brecht, o fascismo quando aparece tem o travo adocicado e quente de uma bebida reconfortante: “para quem está enregelado até aos ossos, um gole rápido poderá parecer um bom remédio”… Nesta hora, as massas sentem-se confusas. Estamos a ser cilindrados diariamente com orientações dessas que embalam a sociedade como a um berço, reconduzem-nos ao infantário. Os líderes surgem em mensagens transmitidas pela televisão com ar consternado, assumindo um tom paternalista, explicando como devemos lavar as mãos, ter todo o cuidado com uma espécie de bicho papão. Para o nosso bem, todos os nossos movimentos são restringidos, e há uma consistência sinistra nesta campanha, neste saber que nos diminui: são os anúncios dos dados e evidências científicas vincados pelo balanço constante do número de mortos. Não podia ser mais forte o alarido, a sua sedução que nos leva a pactuar, ao ponto de sermos nós a incitar os políticos a irem mais longe.

Mas das páginas dos livros soa uma música estranha, que dá relevo e confere algo de ominoso aos “tambores tresloucados das reinvindicações territoriais irredentistas e das autonomias étnicas que ressoam na selva das cidades”. Isto enquanto os mercados se aproveitam da barafunda para mobilizar recursos. Nos livros, dispensando esse ambiente de sala de aula mais ou menos indigesto, dispõem-se uma série de cenários, hipóteses marciais, campos de treino, e mesmo debandadas, licenciaturas e doutoramentos em fantasia, ilhas do tesouro, as abusáveis Bovarinhas, os virtuosismos à Mr. Darcy, mas tudo isso depende de uma certa capacidade de renunciar e mesmo de enxotar as moscas das trivialidades e urgências com que o nosso tempo nos acossa. Há momentos em que é decisivo estabelecer distinções, perceber como se tornou gratuito e estéril um certo culto que vem imbuindo os livros de uma espécie de patética aura, sobretudo quando em nome de uns raros tudo partilha dessa benevolência acéfala, livros como luzes de enfeite, inutilmente acesos, lâmpadas suspensas e a balouçar tristemente, não iluminando nada, servindo apenas para tornar a noite ainda mais enervante.

Se há por aí muitos “livros velhos, pandectas obsoletas e comentários carcomidos que apenas conservam a sua autoridade num presente coberto de pó” (George Steiner), é cada vez mais azucrinante o número de empertigadas novas adições a essa conta, livros que se empilham e que são eles mesmos uma praga imparável, uma forma de vida que já nasce como excrescência ornamental, e que apenas acelera a morte dos géneros literários, a irrelevância de tudo quanto é dito, transformado logo em ruído. De tal modo que, se Charles Simic declarava que mesmo na poesia só nos restava o fraco consolo servido pelos poetas menores, a determinada altura Tadeusz Różewicz deu-se conta de que “os novos poemas/ publicados nos semanários/ começam a decompor-se/ ao fim de duas ou três horas/ os poetas mortos/ vão-se rapidamente/ os vivos/ cospem/ com pressa/ livros novos/ como se quisessem tapar o ralo/ com papel”. Há muito que isto ficou claro, como era evidente que o negócio dos livros se vinha tornando um negócio miserável, exigindo dos livreiros um espírito constante de desenrascanço, ardis, manobras sinuosas e aterragens com qualquer coisa de felino, mas acabando também por fazê-los definhar entre um número sem fim de burocracias, escolhas cada vez mais difíceis, forçados a andar atrás dos caprichos de clientes sem nada para fazer e que, com a promessa de levarem alguns títulos, esperam dos livreiros que lhes catem os piolhos do ego.

Com tudo isto, os ideais que lhes serviram de balanço para se lançarem no negócio atraídos por uma ideia de partilha aventurosa, vão sendo triturados. E por melhores que sejam os seus argumentos, dão por si ainda mais derrotados, mais humilhados pela realidade e pelos inúmeros leitores que os incentivam, lhes levantam a moral, só para que a sua traição seja ainda mais completa quando, depois, não compram livros e só se interessam mesmo pelas romarias nos dias de finados. Os livros que podiam fazer a diferença, quer queiramos quer não, ferem-nos mais, o seu encanto magoa e seduz com um efeito de encanto venenoso, precisamente porque os “lemos como despojos, como ruínas da textura e do passado e das suas ideias que sobrevivem” (Jorge Carrión). Mas sobrevivem mal, são existências retiradas, em contradição com o tempo que nos foi dado viver, e estão reduzidos a fragmentos, enumerações caóticas, exemplos que nos comovem porque estão ameaçados. Parafraseando livremente uns versos de Biedma, lembram-nos nobres arruinados obrigados a sair de cena, tropeçando nos escombros da magnífica inteligência que nos legaram. Há algo que nos diz que temos pelo menos o privilégio de os ler como se ouvíssemos um condenado proferir as suas últimas palavras. E nós, os últimos leitores de livros, secretamente também nos regozijamos com essa perspectiva que pode até ser bastante exagerada.

Sabemos bem como os rumores da morte dos livros tenderam sempre a sair frustrados, mas isso não significa que não haja uma traiçoeira ternura na forma como ouvimos falar dos esforços dos poucos livreiros que restam, reduzidos à indigência dos seus parcos meios, ou a trabalharem para empresas que, ao mesmo tempo que se desfazem em loas ao descrever os seus particulares talentos, os compensam com ordenados de miséria. Mas da própria literatura que em qualquer era se escreveu, mesmo nos momentos mais negros da história, há uma ânsia de exibir, mais tarde, as cicatrizes de uma verdadeira luta, uma busca, mesmo que por via da destruição, de um novo começo, sobretudo num momento em que tudo à nossa volta parece consumir-se no fascínio pelo ocaso. “Os testemunhos da filosofia, as artes, os historiadores da sensibilidade fazem-se eco dos ‘tempos de encerramento dos jardins do Ocidente’ ao longo das crises da ordem imperial romana, dos medos apocalípticos à volta do Ano Mil, do rasto da Peste Negra e da Guerra dos Trinta Anos”, como nos diz Steiner. Mas também nos lembra que, “desde sempre, os sinais da decomposição, do Outono e da luz que declina acompanharam, nos homens e nas mulheres, a consciência da decrepitude física e da nossa mortalidade comum”.

Talvez o enorme sentido de oportunidade com que o novo coronavírus nos atingiu se ligue a uma sensação de desgaste da Primavera perpétua do consumismo. Enquanto os minúsculos bárbaros fazem as suas rondas sobre o território que desdobrou em aparências e miragens para nos esconder o seu fundo vazio, o seu deserto insaciável, os livreiros aproveitaram esta promessa de caos para dissolverem as fronteiras entre eles, e deram um passo para um concílio das tribos à volta de uma iniciativa comum: a Rede de Livrarias Independentes (ReLI). Mas esta zona de demarcação é importante, desde logo, por expor o fosso que as separa das redes e cadeias dos grandes grupos editoriais e livreiros, que, apesar de se colocarem atrás de uma fachada que engrandece as conquistas civilizacionais, são as responsáveis pelas práticas de canibalismo que tomaram conta do sector, amesquinhando todos os que nele trabalham, e aplicando em desluzir o prestígio que o livro adquiriu ao longo de séculos, fazendo dele outro produto de supermercado. Esta associação livre de apoio mútuo lança-se com uma carta aberta que, infelizmente, ao invés de dirigir-se directamente a todo o leitor português, prefere fazê-lo através dos seus representantes institucionais, a começar pelo Senhor Presidente da República…

Não vale a pena estarmos a reproduzir aqui algumas passagens da carta, que serve para anunciar este movimento associativo dos livreiros independentes para fazer frente aos constrangimentos económicos que foram exponenciados pela pandemia. Há muito que as dificuldades destas livrarias são conhecidas, e o que o vírus trouxe foi a alta probabilidade da extinção da maior parte delas nos próximos meses se não houver medidas de apoio específicas para as contrariar. São, assim, propostas uma série de medidas “emergenciais” que obrigam os poderes do Estado a abandonar a condição das piedosas testemunhas de um acidente, para se decidir de uma vez se as livrarias independentes são para salvar ou deixar morrer. Porque, se até ao momento, em face desta crise, a posição do Ministério da Cultura se resumiu a ter vindo defender que as livrarias continuem abertas, porque os livros são bens essenciais, o certo é que depois nada é feito para proteger a actividade daqueles que têm a autonomia e a liberdade para intervir num terreno onde, sem uma actuação crítica e uma estratégia que não se confunda com meras ambições de lucro mas que garanta a defesa de verdadeiros valores culturais, tudo continuará na mesma. Hoje, a maioria dos espaços a que o público português se habituou a chamar de livraria é uma urdidura sem nada de extravagante, que se afasta cada vez mais dos próprios livros, uma arquitectura onde o próprio ar que se respira tem algo de apressado, encolhe-nos os pulmões, e não se dá por qualquer critério autoral nas escolhas que são feitas. Ao invés de ensinar a ler, são apenas lugares de trânsito onde os livros estão em exposição por tempo muito limitado, e esse espaço pode ser comprado para que o livro, imenso nas suas dimensões, funcione como o seu próprio outdoor. As novidades vão marginalizando a História e até o cânone (qualquer que ele seja), os géneros minoritários são desprezados, enfiados a um canto, e a ordem de arrumação, sujeita a critérios burocráticos e, muitas vezes, aberrantes,  não tem nada daquela espécie de “desordem que faz cintilar os fragmentos de um grande número de ordens possíveis, na dimensão, sem lei nem geometria, do que é heteróclito” (Foucault). Nas livrarias de centro comercial estamos no território da Ortodoxia, essa que, como nos dizia Orwell é desde logo um convite a não pensar – não precisar de pensar. “Ortodoxia é inconsciência.” Ou iliteracia, adianta Steiner, ou um sistema televisivo que funcione vinte e quatro horas por dia. É nesse ponto que estamos. Tudo apenas procede enquanto conteúdo que pode ser adaptado à televisão ou distribuído nas redes sociais. Em breve, as livrarias talvez se dediquem sobretudo a vender t-shirts com citações, pequenos bustos e posters de Kafka, Beckett ou Borges. Ninguém reconhecerá aquela descrição de Benjamin de uma livraria que construa um enredo colocando lado a lado manuais sobre o amor e ilustrações coloridas, que faça cavalgar Napoleão em Marengo ao pé das memórias de uma criada de quarto, e entre um livro sobre sonhos e outro de culinária, ouvindo-se os passos em marcha de antigos ingleses pelos caminhos largos e estreitos do Evangelho. Mas talvez a ameaça existencial para as livrarias independentes que o vírus fez o favor de precipitar, incitando assim os livreiros a unirem-se, quando há muito ficara claro que as suas passadas eram as de um condenado, talvez este momento possa trazer um pouco de esperança, obrigando a que fique gizada uma política específica que há muito este sector exigia.

De resto, nunca é tão evidente a diferença entre o que é essencial e o que é meramente acessório como quando a hora se torna verdadeiramente desesperada. E pode ser que, depois da crise, alguma coisa fique. Vale a pena recordar as palavras de Hermann Hesse com que reagia, num contexto diferente mas que rima com o nosso, a uma certa indiferença face ao destino dos livros e daqueles que trabalham para que estes nos cheguem às mãos. “Por vezes, ironiza-se acerca da actual superprodução livreira no nosso pequeno país. No entanto, se fosse um bocado mais novo e as forças me bastassem, eu hoje não faria outra coisa senão editar e publicar livros. Não devemos suspender este trabalho em prol da continuidade da vida espiritual, esperando o dia em que os países beligerantes terão, talvez, recuperado, nem exercê-lo como um assunto de um breve momento, que se aproveita de uma conjuntura favorável e que, portanto, não necessita de excessivos escrúpulos. A literatura mundial corre um perigo, proveniente das novas edições mal e apressadamente alinhavadas, que é pouco menor do que o da guerra e das suas consequências.”


in Ipsilon (Público) – Lusa

https://www.publico.pt/2020/04/02/culturaipsilon/noticia/covid19-livrarias-independentes-querem-apoios-tesouraria-sobreviver-1910634

Covid-19: Livrarias independentes querem apoios à tesouraria para sobreviver

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Recém-criada Rede de Livrarias Independentes (ReLI) enumera e reivindica várias medidas para os livreiros poderem fazer face à crise provocada pela pandemia.
A ReLI – Rede de Livrarias Independentes, lançada esta quinta-feira, endereçou uma carta aberta aos órgãos de soberania com um conjunto de propostas para ajudar os livreiros a sobreviver à crise, nomeadamente medidas de apoio à tesouraria e rendas.
Numa altura em que as livrarias enfrentam um grave período de crise, com as portas fechadas por tempo indeterminado, devido às medidas restritivas impostas pelo Governo para mitigar a propagação do coronavírus responsável pela pandemia covid-19, dezenas de livreiros uniram-se e elaboraram um conjunto de reivindicações para ajudar a salvar o sector. Umas são “emergenciais”, de execução imediata, e outras são “estruturais”, para serem aplicadas no termo dos efeitos da pandemia, refere a carta, enviada aos jornalistas.


Entre as medidas mais urgentes preconizadas pela ReLI estão a garantia da extensão às livrarias independentes das medidas governamentais de apoio à tesouraria que forem aprovadas para o comércio em geral. A ideia é assegurar que “a banca não exclui o pequeno comércio das candidaturas às linhas de financiamento”.
Os livreiros apelam também a que as compras institucionais – livros e revistas para as bibliotecas públicas, escolares ou municipais – sejam feitas através de consultas preferenciais às livrarias independentes, “mesmo em situações de encerramento temporário forçado”, de acordo com a sua proximidade e não de acordo com o preço.
A este propósito, destacam que o preço deveria ser o do Preço de Venda ao Público (PVP) dos livros ou fixado num desconto mínimo (máximo de 10 por cento) de modo a facilitar e não impedir a participação dos livreiros independentes nas consultas públicas.
“Todos sabemos que não é possível exigir dos livreiros descontos que são muitas vezes iguais ou superiores aos que as condições comerciais praticadas pelas grandes editoras nos permitem”, salientam.

“Tudo o que é bom é feito devagar ou com vagar”: 20 anos de Ler Devagar

As rendas e o risco de despejo são outras das principais preocupações deste sector livreiro, pelo que a ReLI pede apoios financeiros a fundo perdido para reforçar a tesouraria ou ao pagamento das rendas, em articulação com as medidas que vierem a ser aprovadas para o comércio em geral, para a restauração e hotelaria, para as micro e pequenas empresas.
Os livreiros recordam que a especulação imobiliária foi a primeira responsável pelo encerramento de muitas livrarias independentes e do comércio de proximidade em geral, pelo que, “nos tempos que virão, esta é uma cautela que os governos e as autarquias têm que assegurar”.
Os livreiros sugerem também que lhes sejam atribuídos “seguros de salários, ou equivalente, de modo a garantir um rendimento mínimo a todos”, enquanto os efeitos da epidemia durarem. “Em caso de layoff ou situação equivalente, os rendimentos mínimos devem contemplar, obrigatoriamente, os sócios-gerentes das micro e pequenas empresas”, já que muitas vezes esses são os únicos trabalhadores efectivos nos estabelecimentos, e a sua sobrevivência depende exclusivamente do exercício dessa actividade.
Outra das reivindicações preconizadas na carta diz respeito ao apoio directo à constituição da Associação ReLI, nomeadamente para construção de umsite com venda online e georreferenciação das livrarias aderentes à rede, “o qual constituirá o embrião de uma central de compras e de distribuição”.

Livrarias com Selo de Mérito vão receber apoio financeiro para promover a leitura

Ainda no âmbito das medidas urgentes, os livreiros exigem o cumprimento daLei do Preço Fixo, mesmo em tempos de emergência, quer por parte de algumas grandes cadeias de livrarias online – “que praticam descontos acima dos permitidos pela lei –, quer pelas próprias editoras – que concorrem com os sites das livrarias através da venda a retalho nos seus próprios sites”.
Questionado sobre a decisão de algumas editoras/distribuidoras adoptarem medidas de protecção aos livreiros, como o adiamento de prazos de pagamentos, José Pinho, da Livraria Ler Devagar, disse à Lusa que “o problema é o adiamento do problema”.
“Como nas rendas, no layoff, nos empréstimos que não forem a fundo perdido, ou noutra área qualquer, todas estas medidas que até parecem simpáticas e solidárias não passam de medidas proporcionadoras de acumulação de dívida contraídas por empresas que provavelmente, não vendendo, nem daqui a dois ou três anos estarão em condições de a amortizar”, afirmou.
A carta aberta elenca ainda uma série de propostas de medidas estruturais, que os livreiros consideram que, a seu tempo, terão obrigatoriamente de ser discutidas, “franca e abertamente”, no sentido de evitar, de vez, “alguns dos procedimentos que impedem as boas práticas da concorrência”. Por um lado, querem que seja facilitada a participação dos livreiros independentes nas feiras do livro e que seja fiscalizada a aplicação de descontos ilegais.
Ainda no mesmo âmbito, exigem a fiscalização da actividade comercial de venda a retalho de livros, através da Inspecção-Geral das Actividades Culturais (IGAC) e da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), para impedir a prática de descontos pontuais acima do permitido e de promoções de duração superior ao estipulado na Lei do Preço Fixo.
No que respeita ao livro escolar, os livreiros apontam a venda ao público feita directamente pelas editoras de livro escolar e os vouchers do Ministério da Educação “que deveria ter sido uma medida para apoiar a rede livreira e afinal não foi”.

Apelam ainda à instalação de novas livrarias, e das que vierem eventualmente a ser despejadas quando terminar o estado de emergência e de calamidade pública, em edifícios que sejam propriedade do Estado, das autarquias e de fundações ou instituições privadas dependentes do Orçamento do Estado.
A carta aberta foi dirigida aos presidentes da República e da Assembleia da República, ao primeiro-ministro, à ministra da Cultura e aos grupos parlamentares da Assembleia da República, com conhecimento dos presidentes das câmaras de Lisboa e do Porto, da Associação Nacional dos Municípios e da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros.


in RTP Notícias – Lusa

https://www.rtp.pt/noticias/covid-19/dezenas-de-livrarias-independentes-criam-rede-para-salvar-setor_n1217634

Dezenas de livrarias independentes criam rede para salvar setor

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Mais de meia centena de livrarias independentes de todo o país uniram-se para criar uma rede de cooperação com o objetivo de conjugar esforços para enfrentar a crise no setor, agravada agora pelas condições criadas pela covid-19.
Denominada RELI – Rede de Livrarias Independentes, esta associação livre de apoio mútuo é hoje lançada, juntamente com o respetivo site – www.reli.pt -, e tem como objetivo “coordenar esforços para enfrentar a crise no mercado livreiro, que vem comprometendo, já há vários anos, a existência de pequenas livrarias em todo o país”, referem os livreiros, numa nota enviada à comunicação social.
Esta rede “tem uma causa: conjugar esforços para levarmos por diante os nossos projetos individuais e o grande projeto coletivo que é o de dotar o país de uma rede de livrarias especializadas e de proximidade”, sublinham, numa nota que é assinada, em nome de todos, por José Pinho, da Livraria Ler Devagar, e Rosa Azevedo, da Livraria Snob.
“Acreditamos que a constituição desta plataforma nos vai permitir agregar esforços, juntar todos os livreiros independentes de Portugal – maioritariamente micro e pequenas empresas -, delinear estratégias e ações comuns e enfrentar esta situação inédita, que nos apareceu num momento em que o encerramento das livrarias independentes – empurradas para fora dos seus estabelecimentos pelos efeitos da desenfreada, desnecessária e absurda especulação imobiliária – dava sinais de algum abrandamento”, lê-se numa carta aberta dirigida pelos livreiros aos órgãos de soberania.
Juntamente com o lançamento da rede e do respetivo site, são lançadas duas ações conjuntas, “Livraria às Cegas” e “Fique em Casa”, numa tentativa de manter em movimento o negócio dos livros, procurando fazer face à atual conjuntura.
“Livraria às cegas” é uma iniciativa que desafia o público a escolher um livreiro, pedir-lhe livros “de olhos fechados” e, mediante um pagamento igual ou superior a 15 euros, receber um pacote-surpresa em casa.
A campanha “Fique em casa, mas não fique sem livros” apela aos leitores para que encomendem livros numa das livrarias independentes da rede, e os livros serão enviados sem encargos dos portes de envio.
As duas iniciativas estão no site da RELI, que dispõe também da listagem de livrarias que fazem parte da rede, com as respetivas moradas e contactos.
A RELI pretende ainda que este venha a ser um site com venda online e georreferenciação das livrarias aderentes à rede, constituindo “o embrião de uma central de compras e de distribuição”.
Em tempos de uma crise que nem em tempos de guerra ou de outras calamidades globais foi vivida, porque se trata de uma luta “muito desigual”, em que “não [se sabe] onde estão as armas e não [há] um inimigo declarado à vista”, a RELI está a tentar assegurar a sobrevivência das livrarias independentes, num cenário em que “as ruas estão desertas, e as pessoas, acantonadas em suas casas, não podem sequer ocupar os seus lugares nas trincheiras”.
O comércio fechou, mas a ministra da Cultura, Graça Fonseca, disse que seria possível abrir as livrarias e vender ao postigo, uma hipótese pouco adequada à realidade de uma livraria, e dos clientes que a procuram.
“O problema aqui não é abrir em condições precárias ou não abrir. O problema é que, mesmo que estivessem abertas, as ruas estão desertas e os clientes não saem de casa para ir às livrarias comprar livros”, disse à Lusa José Pinho.


in JN

https://www.jn.pt/artes/-livrarias-independentes-querem-apoios-a-tesouraria-para-sobreviver-12020643.html

Livrarias independentes querem apoios à tesouraria para sobreviver

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A RELI – Rede de Livrarias Independentes, endereçou uma carta aberta aos órgãos de soberania, com um conjunto de propostas para ajudar os livreiros a sobreviver à crise, nomeadamente medidas de apoio à tesouraria e rendas.
Numa altura em que as livrarias enfrentam um grave período de crise, com as portas fechadas por tempo indeterminado, devido às medidas restritivas impostas pelo Governo para mitigar a propagação do coronavírus responsável pela pandemia covid-19, dezenas de livreiros uniram-se e elaboraram um conjunto de reivindicações para ajudar a salvar o setor.
Umas são “emergenciais”, de execução imediata, e outras são “estruturais”, para serem aplicadas no termo dos efeitos da pandemia, refere a carta, enviada aos jornalistas.
Entre as medidas mais urgentes preconizadas pela RELI estão a garantia da extensão às livrarias independentes das medidas governamentais de apoio à tesouraria que forem aprovadas para o comércio em geral.
A ideia é assegurar que “a banca não exclui o pequeno comércio das candidaturas às linhas de financiamento”.
Os livreiros apelam também a que as compras institucionais – livros e revistas para as bibliotecas públicas, escolares, ou municipais — sejam feitas através de consultas preferenciais às livrarias independentes, “mesmo em situações de encerramento temporário forçado”, de acordo com a sua proximidade e não de acordo com o preço.
A este propósito destacam que o preço deveria ser o do Preço de Venda ao Público (PVP) dos livros ou fixado num desconto mínimo (máximo de 10%) de modo a facilitar e não impedir a participação dos livreiros independentes nas consultas públicas.
“Todos sabemos que não é possível exigir dos livreiros descontos que são muitas vezes iguais ou superiores aos que as condições comerciais praticadas pelas grandes editoras nos permitem”, salientam.
As rendas e o risco de despejo são outras das principais preocupações deste setor livreiro, pelo que a RELI pede apoios financeiros a fundo perdido para reforçar a tesouraria ou ao pagamento das rendas, em articulação com as medidas que vierem a ser aprovadas para o comércio em geral, para a restauração e hotelaria, para as micro e pequenas empresas.Os livreiros recordam que a especulação imobiliária foi a primeira responsável pelo encerramento de muitas livrarias independentes e do comércio de proximidade em geral, pelo que, “nos tempos que virão, esta é uma cautela que os governos e as autarquias têm que assegurar”.

Os livreiros sugerem também que lhes sejam atribuídos “seguros de salários, ou equivalente, de modo a garantir um rendimento mínimo a todos”, enquanto os efeitos da epidemia durarem.
“Em caso de ‘layoff’ ou situação equivalente os rendimentos mínimos devem contemplar, obrigatoriamente, os sócios-gerentes das micro e pequenas empresas”, já que muitas vezes esses são os únicos trabalhadores efetivos nos estabelecimentos, e a sua sobrevivência depende exclusivamente do exercício dessa atividade.

Outra das reivindicações preconizadas na carta diz respeito ao apoio direto à constituição da Associação RELI, nomeadamente para construção de um ‘site’ com venda ‘online’ e georreferenciação das livrarias aderentes à rede, “o qual constituirá o embrião de uma central de compras e de distribuição”.

Ainda no âmbito das medidas urgentes, os livreiros exigem o cumprimento da lei do preço fixo, mesmo em tempos de emergência, quer por parte de algumas grandes cadeias de livrarias ‘online’ — “que praticam descontos acima dos permitidos pela lei —, quer pelas próprias editoras — que concorrem com os ‘sites’ das livrarias através da venda a retalho nos seus próprios sites”.


Questionado sobre a decisão de algumas editoras/distribuidoras adotarem medidas que proteção aos livreiros, como o adiamento de prazos de pagamentos, José Pinho, da Livraria Ler Devagar, disse à Lusa que “o problema é o adiamento do problema”.


“Como nas rendas, no ‘layoff’, nos empréstimos que não forem a fundo perdido, ou noutra área qualquer, todas estas medidas que até parecem simpáticas e solidárias não passam de medidas proporcionadoras de acumulação de dívida contraídas por empresas que provavelmente, não vendendo, nem daqui a dois ou três anos estarão em condições de a amortizar”, afirmou.


A carta aberta dispõe ainda de uma série de propostas de medidas estruturais, que os livreiros consideram que, a seu tempo, terão obrigatoriamente de ser discutidas “franca e abertamente” no sentido de evitar, de vez, “alguns dos procedimentos que impedem as boas práticas da concorrência”.


Por um lado, querem que seja facilitada a participação dos livreiros independentes nas feiras do livro e que seja fiscalizada a aplicação de descontos ilegais.


Ainda no mesmo âmbito, exigem a fiscalização da atividade comercial de venda a retalho de livros, através do Inspeção-Geral das Atividades Culturais (IGAC) e da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), para impedir a prática de descontos pontuais acima do permitido e de promoções de duração superior ao estipulado na Lei do Preço Fixo.

No que respeita ao livro escolar, os livreiros apontam a venda ao público feita diretamente pelas editoras de livro escolar e os ‘vouchers’ do Ministério da Educação “que deveria ter sido uma medida para apoiar a rede livreira e afinal não foi”.
Apelam ainda à instalação de novas livrarias, e das que vierem eventualmente a ser despejadas quando terminar o estado de emergência e de calamidade pública, em edifícios que sejam propriedade do Estado, das autarquias e de fundações ou instituições privadas dependentes do Orçamento do Estado.
A carta aberta foi dirigida aos presidentes da República e da Assembleia da República, ao primeiro-ministro, à ministra da Cultura e aos grupos parlamentares da Assembleia da República, com conhecimento dos presidentes das câmaras de Lisboa e Porto, da Associação Nacional dos Municípios e da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros.


in Expresso – Lusa

https://expresso.pt/coronavirus/2020-04-02-Covid-19.-Livrarias-independentes-querem-apoios-a-tesouraria-para-sobreviver

Covid-19. Livrarias independentes querem apoios à tesouraria para sobreviver
A RELI – Rede de Livrarias Independentes, lançada esta quinta-feira, pede medidas de apoio à tesouraria e rendas

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A RELI – Rede de Livrarias Independentes, lançada esta quinta-feira, endereçou uma carta aberta aos órgãos de soberania, com um conjunto de propostas para ajudar os livreiros a sobreviver à crise, nomeadamente medidas de apoio à tesouraria e rendas.
Numa altura em que as livrarias enfrentam um grave período de crise, com as portas fechadas por tempo indeterminado, devido às medidas restritivas impostas pelo Governo para mitigar a propagação do coronavírus responsável pela pandemia covid-19, dezenas de livreiros uniram-se e elaboraram um conjunto de reivindicações para ajudar a salvar o sector.

Umas são “emergenciais”, de execução imediata, e outras são “estruturais”, para serem aplicadas no termo dos efeitos da pandemia, refere a carta, enviada aos jornalistas.
Entre as medidas mais urgentes preconizadas pela RELI estão a garantia da extensão às livrarias independentes das medidas governamentais de apoio à tesouraria que forem aprovadas para o comércio em geral.

A ideia é assegurar que “a banca não exclui o pequeno comércio das candidaturas às linhas de financiamento”.

Os livreiros apelam também a que as compras institucionais – livros e revistas para as bibliotecas públicas, escolares, ou municipais – sejam feitas através de consultas preferenciais às livrarias independentes, “mesmo em situações de encerramento temporário forçado”, de acordo com a sua proximidade e não de acordo com o preço.

A este propósito destacam que o preço deveria ser o do Preço de Venda ao Público (PVP) dos livros ou fixado num desconto mínimo (máximo de 10%) de modo a facilitar e não impedir a participação dos livreiros independentes nas consultas públicas.

“Todos sabemos que não é possível exigir dos livreiros descontos que são muitas vezes iguais ou superiores aos que as condições comerciais praticadas pelas grandes editoras nos permitem”, salientam.

As rendas e o risco de despejo são outras das principais preocupações deste setor livreiro, pelo que a RELI pede apoios financeiros a fundo perdido para reforçar a tesouraria ou ao pagamento das rendas, em articulação com as medidas que vierem a ser aprovadas para o comércio em geral, para a restauração e hotelaria, para as micro e pequenas empresas.
Os livreiros recordam que a especulação imobiliária foi a primeira responsável pelo encerramento de muitas livrarias independentes e do comércio de proximidade em geral, pelo que, “nos tempos que virão, esta é uma cautela que os governos e as autarquias têm que assegurar”.
Os livreiros sugerem também que lhes sejam atribuídos “seguros de salários, ou equivalente, de modo a garantir um rendimento mínimo a todos”, enquanto os efeitos da epidemia durarem.
“Em caso de ‘layoff’ ou situação equivalente os rendimentos mínimos devem contemplar, obrigatoriamente, os sócios-gerentes das micro e pequenas empresas”, já que muitas vezes esses são os únicos trabalhadores efetivos nos estabelecimentos, e a sua sobrevivência depende exclusivamente do exercício dessa atividade.
Outra das reivindicações preconizadas na carta diz respeito ao apoio direto à constituição da Associação RELI, nomeadamente para construção de um ‘site’ com venda ‘online’ e georreferenciação das livrarias aderentes à rede, “o qual constituirá o embrião de uma central de compras e de distribuição”.
Ainda no âmbito das medidas urgentes, os livreiros exigem o cumprimento da lei do preço fixo, mesmo em tempos de emergência, quer por parte de algumas grandes cadeias de livrarias ‘online’ – “que praticam descontos acima dos permitidos pela lei -, quer pelas próprias editoras – que concorrem com os ‘sites’ das livrarias através da venda a retalho nos seus próprios sites”.

Questionado sobre a decisão de algumas editoras/distribuidoras adotarem medidas que proteção aos livreiros, como o adiamento de prazos de pagamentos, José Pinho, da Livraria Ler Devagar, disse à Lusa que “o problema é o adiamento do problema”.
“Como nas rendas, no ‘layoff’, nos empréstimos que não forem a fundo perdido, ou noutra área qualquer, todas estas medidas que até parecem simpáticas e solidárias não passam de medidas proporcionadoras de acumulação de dívida contraídas por empresas que provavelmente, não vendendo, nem daqui a dois ou três anos estarão em condições de a amortizar”, afirmou.

A carta aberta dispõe ainda de uma série de propostas de medidas estruturais, que os livreiros consideram que, a seu tempo, terão obrigatoriamente de ser discutidas “franca e abertamente” no sentido de evitar, de vez, “alguns dos procedimentos que impedem as boas práticas da concorrência”.
Por um lado, querem que seja facilitada a participação dos livreiros independentes nas feiras do livro e que seja fiscalizada a aplicação de descontos ilegais.
Ainda no mesmo âmbito, exigem a fiscalização da atividade comercial de venda a retalho de livros, através do Inspeção-Geral das Atividades Culturais (IGAC) e da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), para impedir a prática de descontos pontuais acima do permitido e de promoções de duração superior ao estipulado na Lei do Preço Fixo.
No que respeita ao livro escolar, os livreiros apontam a venda ao público feita diretamente pelas editoras de livro escolar e os ‘vouchers’ do Ministério da Educação “que deveria ter sido uma medida para apoiar a rede livreira e afinal não foi”.
Apelam ainda à instalação de novas livrarias, e das que vierem eventualmente a ser despejadas quando terminar o estado de emergência e de calamidade pública, em edifícios que sejam propriedade do Estado, das autarquias e de fundações ou instituições privadas dependentes do Orçamento do Estado.
A carta aberta foi dirigida aos presidentes da República e da Assembleia da República, ao primeiro-ministro, à ministra da Cultura e aos grupos parlamentares da Assembleia da República, com conhecimento dos presidentes das câmaras de Lisboa e Porto, da Associação Nacional dos Municípios e da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros.


in LUSA (subscritores)

https://www.lusa.pt/article/BCfSms6Rs7SVgzBTips10TMSZM5iuSI1/covid-19-livrarias-independentes-querem-apoios-%C3%A0-tesouraria-para-sobreviver

in LUSA

https://www.lusa.pt/article/BCfSms6Rs7QfGWn49tzTWzMSZM5iuSI1/covid-19-dezenas-de-livrarias-independentes-criam-rede-para-salvar-setor

Mais de meia centena de livrarias independentes de todo o país uniram-se para criar uma rede de cooperação com o objetivo de conjugar esforços para enfrentar a crise no setor, agravada agora pelas condições criadas pela covid-19

Denominada RELI — Rede de Livrarias Independentes, esta associação livre de apoio mútuo é hoje lançada, juntamente com o respetivo site – www.reli.pt –, e tem como objetivo “coordenar esforços para enfrentar a crise no mercado livreiro, que vem comprometendo, já há vários anos, a existência de pequenas livrarias em todo o país”, referem os livreiros, numa nota enviada à comunicação social.

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Esta rede “tem uma causa: conjugar esforços para levarmos por diante os nossos projetos individuais e o grande projeto coletivo que é o de dotar o país de uma rede de livrarias especializadas e de proximidade”, sublinham, numa nota que é assinada, em nome de todos, por José Pinho, da Livraria Ler Devagar, e Rosa Azevedo, da Livraria Snob.

“Acreditamos que a constituição desta plataforma nos vai permitir agregar esforços, juntar todos os livreiros independentes de Portugal — maioritariamente micro e pequenas empresas —, delinear estratégias e ações comuns e enfrentar esta situação inédita, que nos apareceu num momento em que o encerramento das livrarias independentes — empurradas para fora dos seus estabelecimentos pelos efeitos da desenfreada, desnecessária e absurda especulação imobiliária — dava sinais de algum abrandamento”, lê-se numa carta aberta dirigida pelos livreiros aos órgãos de soberania.

Juntamente com o lançamento da rede e do respetivo ‘site’, são lançadas duas ações conjuntas, “Livraria às Cegas” e “Fique em Casa”, numa tentativa de manter em movimento o negócio dos livros, procurando fazer face à atual conjuntura.

“Livraria às cegas” é uma iniciativa que desafia o público a escolher um livreiro, pedir-lhe livros “de olhos fechados” e, mediante um pagamento igual ou superior a 15 euros, receber um pacote-surpresa em casa.

A campanha “Fique em casa, mas não fique sem livros” apela aos leitores para que encomendem livros numa das livrarias independentes da rede, e os livros serão enviados sem encargos dos portes de envio.

As duas iniciativas estão no ‘site’ da RELI, que dispõe também da listagem de livrarias que fazem parte da rede, com as respetivas moradas e contactos.

A RELI pretende ainda que este venha a ser um ‘site’ com venda ‘online’ e georreferenciação das livrarias aderentes à rede, constituindo “o embrião de uma central de compras e de distribuição”.

Em tempos de uma crise que nem em tempos de guerra ou de outras calamidades globais foi vivida, porque se trata de uma luta “muito desigual”, em que “não [se sabe] onde estão as armas e não [há] um inimigo declarado à vista”, a RELI está a tentar assegurar a sobrevivência das livrarias independentes, num cenário em que “as ruas estão desertas, e as pessoas, acantonadas em suas casas, não podem sequer ocupar os seus lugares nas trincheiras”.

O comércio fechou, mas a ministra da Cultura, Graça Fonseca, disse que seria possível abrir as livrarias e vender ao postigo, uma hipótese pouco adequada à realidade de uma livraria, e dos clientes que a procuram.

“O problema aqui não é abrir em condições precárias ou não abrir. O problema é que, mesmo que estivessem abertas, as ruas estão desertas e os clientes não saem de casa para ir às livrarias comprar livros”, disse à Lusa José Pinho.

AL // TDI


in SOL – Mariana Madrinha

https://sol.sapo.pt/artigo/691584/livrarias-independentes-lutam-para-se-manter-a-tona

Os sinais vermelhos do confinamento começam a vir de vários setores, entre os quais o dos livros. Na quarta-feira, a GfK publicou um estudo em que indicava que, na semana passada, os livreiros registaram quebras de quase 66%. Ontem, a RELI – Rede de Livrarias Independentes, lançada precisamente para combater os efeitos da pandemia, endereçou uma carta aberta aos órgãos de soberania em que alencava um conjunto de medidas necessárias para salvar o setor.

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Os livreiros dividem as medidas em dois estágios de execução: algumas são “emergenciais”, devendo ser imediatamente executadas, e as segundas são consideradas “estruturais”, devendo ser aplicadas após a situação aguda do surto de covid-19. Entre as medidas urgentes, os signatários do documento pedem que os apoios de tesouraria que forem aprovados para o comércio em geral se estendam às livrarias. Esta será uma forma de garantir que “a banca não exclui o pequeno comércio das candidaturas às linhas de financiamento”, lê-se na carta aberta.

A RELI pede ainda que os livreiros independentes sejam também vendedores preferenciais das compras institucionais, aquelas que são feitas para as bibliotecas ou escolas, a título de exemplo, “mesmo em situações de encerramento temporário forçado”. Os livreiros pedem também que o preço não seja tido em conta nestes casos. “Todos sabemos que não é possível exigir dos livreiros descontos que são muitas vezes iguais ou superiores aos que as condições comerciais praticadas pelas grandes editoras nos permitem”, lembram. Para combater esta desigualdade, sugerem que o preço deveria ser o do Preço de Venda ao Público (PVP) dos livros ou fixado num desconto mínimo (máximo de 10%), para que assim possam ter alguma hipótese nas consultas públicas que determinam essas vendas institucionais.

Relativamente ao pagamento das rendas, outra das grandes preocupações elencadas, pedem fundo perdido para reforçar a tesouraria ou o pagamento das rendas – isto em linha com as decisões que forem tomadas para o comércio em geral. Já “em caso de ‘layoff’ ou situação equivalente, os rendimentos mínimos devem contemplar, obrigatoriamente, os sócios-gerentes das micro e pequenas empresas”, consideram, explicando que, muitas vezes, são eles próprios os únicos trabalhadores efetivos dos espaços.

A RELI é composta por meia centena de livrarias independentes espalhadas pelo país. A cooperativa nasceu “para coordenar esforços para enfrentar a crise no mercado livreiro, que vem comprometendo, já há vários anos, a existência de pequenas livrarias em todo o país”, definem os próprios.


in Observador – Lusa

Dezenas de livrarias independentes criam rede para tentar salvar setor


As livrarias independentes uniram-se num grande projeto coletivo, “que é o de dotar o país de uma rede de livrarias especializadas e de proximidade”, e escreveram uma carta aberta ao Presidente.
Mais de meia centena de livrarias independentes de todo o país uniram-se para criar uma rede de cooperação com o objetivo de conjugar esforços para enfrentar a crise no setor, agravada agora pelas condições criadas pela Covid-19.

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Denominada RELI – Rede de Livrarias Independentes, esta associação livre de apoio mútuo é esta quinta-feira lançada, juntamente com o respetivo site, e tem como objetivo “coordenar esforços para enfrentar a crise no mercado livreiro, que vem comprometendo, já há vários anos, a existência de pequenas livrarias em todo o país”, referem os livreiros, numa nota enviada à comunicação social.
Esta rede “tem uma causa: conjugar esforços para levarmos por diante os nossos projetos individuais e o grande projeto coletivo que é o de dotar o país de uma rede de livrarias especializadas e de proximidade”, sublinham, numa nota que é assinada, em nome de todos, por José Pinho, da Livraria Ler Devagar, e Rosa Azevedo, da Livraria Snob.
“Acreditamos que a constituição desta plataforma nos vai permitir agregar esforços, juntar todos os livreiros independentes de Portugal – maioritariamente micro e pequenas empresas –, delinear estratégias e ações comuns e enfrentar esta situação inédita, que nos apareceu num momento em que o encerramento das livrarias independentes – empurradas para fora dos seus estabelecimentos pelos efeitos da desenfreada, desnecessária e absurda especulação imobiliária – dava sinais de algum abrandamento”, lê-se numa carta aberta dirigida pelos livreiros aos órgãos de soberania.

RELI lança iniciativas para combater queda de vendas
Juntamente com o lançamento da rede e do respetivo site, são lançadas duas ações conjuntas, “Livraria às Cegas” e “Fique em Casa”, numa tentativa de manter em movimento o negócio dos livros, procurando fazer face à atual conjuntura. “Livraria às cegas” é uma iniciativa que desafia o público a escolher um livreiro, pedir-lhe livros “de olhos fechados” e, mediante um pagamento igual ou superior a 15 euros, receber um pacote-surpresa em casa.

A campanha “Fique em casa, mas não fique sem livros” apela aos leitores para que encomendem livros numa das livrarias independentes da rede, e os livros serão enviados sem encargos dos portes de envio. As duas iniciativas estão nosite da RELI, que dispõe também da listagem de livrarias que fazem parte da rede, com as respetivas moradas e contactos.

A RELI pretende ainda que este venha a ser um site com venda online e georreferenciação das livrarias aderentes à rede, constituindo “o embrião de uma central de compras e de distribuição”.

Em tempos de uma crise que nem em tempos de guerra ou de outras calamidades globais foi vivida, porque se trata de uma luta “muito desigual”, em que “não [se sabe] onde estão as armas e não [há] um inimigo declarado à vista”, a RELI está a tentar assegurar a sobrevivência das livrarias independentes, num cenário em que “as ruas estão desertas, e as pessoas, acantonadas em suas casas, não podem sequer ocupar os seus lugares nas trincheiras”.

O comércio fechou, mas a ministra da Cultura, Graça Fonseca, disse que seria possível abrir as livrarias e vender ao postigo, uma hipótese pouco adequada à realidade de uma livraria, e dos clientes que a procuram. “O problema aqui não é abrir em condições precárias ou não abrir. O problema é que, mesmo que estivessem abertas, as ruas estão desertas e os clientes não saem de casa para ir às livrarias comprar livros”, disse à Lusa José Pinho.


in Visão – Lusa

https://visao.sapo.pt/atualidade/politica/2020-04-02-covid-19-dezenas-de-livrarias-independentes-criam-rede-para-salvar-setor/


Mais de meia centena de livrarias independentes de todo o país uniram-se para criar uma rede de cooperação com o objetivo de conjugar esforços para enfrentar a crise no setor, agravada agora pelas condições criadas pela covid-19

Denominada RELI — Rede de Livrarias Independentes, esta associação livre de apoio mútuo é hoje lançada, juntamente com o respetivo site – www.reli.pt –, e tem como objetivo “coordenar esforços para enfrentar a crise no mercado livreiro, que vem comprometendo, já há vários anos, a existência de pequenas livrarias em todo o país”, referem os livreiros, numa nota enviada à comunicação social.

Continuar a ler

Esta rede “tem uma causa: conjugar esforços para levarmos por diante os nossos projetos individuais e o grande projeto coletivo que é o de dotar o país de uma rede de livrarias especializadas e de proximidade”, sublinham, numa nota que é assinada, em nome de todos, por José Pinho, da Livraria Ler Devagar, e Rosa Azevedo, da Livraria Snob.

“Acreditamos que a constituição desta plataforma nos vai permitir agregar esforços, juntar todos os livreiros independentes de Portugal — maioritariamente micro e pequenas empresas —, delinear estratégias e ações comuns e enfrentar esta situação inédita, que nos apareceu num momento em que o encerramento das livrarias independentes — empurradas para fora dos seus estabelecimentos pelos efeitos da desenfreada, desnecessária e absurda especulação imobiliária — dava sinais de algum abrandamento”, lê-se numa carta aberta dirigida pelos livreiros aos órgãos de soberania.

Juntamente com o lançamento da rede e do respetivo ‘site’, são lançadas duas ações conjuntas, “Livraria às Cegas” e “Fique em Casa”, numa tentativa de manter em movimento o negócio dos livros, procurando fazer face à atual conjuntura.

“Livraria às cegas” é uma iniciativa que desafia o público a escolher um livreiro, pedir-lhe livros “de olhos fechados” e, mediante um pagamento igual ou superior a 15 euros, receber um pacote-surpresa em casa.

A campanha “Fique em casa, mas não fique sem livros” apela aos leitores para que encomendem livros numa das livrarias independentes da rede, e os livros serão enviados sem encargos dos portes de envio.

As duas iniciativas estão no ‘site’ da RELI, que dispõe também da listagem de livrarias que fazem parte da rede, com as respetivas moradas e contactos.

A RELI pretende ainda que este venha a ser um ‘site’ com venda ‘online’ e georreferenciação das livrarias aderentes à rede, constituindo “o embrião de uma central de compras e de distribuição”.

Em tempos de uma crise que nem em tempos de guerra ou de outras calamidades globais foi vivida, porque se trata de uma luta “muito desigual”, em que “não [se sabe] onde estão as armas e não [há] um inimigo declarado à vista”, a RELI está a tentar assegurar a sobrevivência das livrarias independentes, num cenário em que “as ruas estão desertas, e as pessoas, acantonadas em suas casas, não podem sequer ocupar os seus lugares nas trincheiras”.

O comércio fechou, mas a ministra da Cultura, Graça Fonseca, disse que seria possível abrir as livrarias e vender ao postigo, uma hipótese pouco adequada à realidade de uma livraria, e dos clientes que a procuram.

“O problema aqui não é abrir em condições precárias ou não abrir. O problema é que, mesmo que estivessem abertas, as ruas estão desertas e os clientes não saem de casa para ir às livrarias comprar livros”, disse à Lusa José Pinho.

AL // TDI


in Governo Sombra (SIC)

https://sicnoticias.pt/programas/governo-sombra/2020-04-04-Ministro-da-paneconomia-Ministro-das-datas-e-Ministro-provisorio

Aos 44:20 minutos